Estamos no auge e na crista da onda daquilo a que chamamos a Ciência Baseada na Evidência Médica, ou pelo menos a sua procura e entendimento.

É assim que se faz investigação

Temos de recolher informação disponibilizada em estudos levados a cabo por investigadores, pelas Universidades de todo o mundo e retirar conclusões assentes em evidências verdadeiras, não em meras opiniões ou apenas na experiência individual de cada um. Temos de ser verdadeiros e relatar o que fazemos bem e o que fazemos mal e não ter medo de comparar os nossos resultados com os dos nossos pares, com aqueles que fazem o mesmo que nós, que ocupam o seu tempo com o mesmo tipo de ocupação científica, médica, académica ou cirúrgica.

Que profissional queremos ser?

Quando exercemos uma actividade profissional, temos de nos saber definir em que patamar nos queremos colocar: Naqueles que executam técnicas bem estudadas e demonstradas pela razão e peça experiência. Naqueles que executam técnicas que são fantásticas, que dão notoriedade, mas que apenas um punhado de cientistas as conseguem executar na perfeição. Naqueles que estudam e tentam melhorar as técnicas no seu dia a dia. Naqueles que investigam e criam técnicas novas, acentes no conhecimento já existente e acrescentam algo de novo, com base, com suporte científico.

Evidência Científica vs Evidência Comercial

A evidência científica nem sempre é a mesma e está alinhada com a evidência comercial. A evidência comercial é aquela que melhor funciona perante os pacientes e que nem sempre vem agregada como a melhor opção o a mais evidente em termos científicos. Estamos a atravessar um deserto em que há diminuição de recursos disponíveis e com isto, a luta pela sobrevivência a tudo leva e legitima, estamos na era do “vale tudo”:

– Um sistema de ensino que debita 750 licenciados por ano para um mercado já saturado e exausto.

– Grandes Grupos a tratarem tudo e todos como folhas de Excel.

– As Clínicas a anunciarem verdadeiros milagres e técnicas quase únicas e que muitas vezes não apresentam o domínio e o controlo que deveriam ter no processo médico e cirúrgico.

– A confusão que existe em que todos os médicos dentistas parecem saber fazer o mesmo e terem estudado o mesmo, onde uns conseguem num curso de fim de semana aprender e apreender o que outros demoraram anos de dedicação, estudo e experiência para o fazer.

E onde ficam os pacientes no meio de esta confusão, como se podem proteger?

Tal como quando nós, médicos, investigadores, fazemos quando estamos a recolher informação científica, temos de saber levar a cabo um processo de validação de conteúdos e das fontes, ou seja, temos de perceber se o que diz num artigo científico é verdadeiro, é útil, é reproduzível e tem fontes fidedignas.

E temos motores de busca, temos locais apropriados para fazermos a “triagem” para nos certificarmos de que as técnicas ou conceitos novos que estão ser anunciados e introduzidos no meio científico ou médico são sérias e reproduzíveis num contexto “in vivo”, nos nossos pacientes e não apenas num meio “in vitro”, apenas funcionando em laboratório num ambiente com condições e variáveis externas excepcionalmente controladas.

Daqui eu pretendo concluir e alertar que o processo de tratamento baseado numa relação séria, profissional e honesta de médico-paciente como qualquer outro tipo de relação, científica ou social, depende dos dois observadores, depende dos dois intervenientes, neste caso, depende do médico e do paciente.

A relação depende das duas partes envolvidas

Deverá ser um processo sério e de responsabilização mútua e bilateral.

Da parte do médico, este deve ser responsável por:

– Respeitar o paciente e manter um ambiente cordial e confortável com o paciente em tratamento.

– Ter as habilitações necessárias para poder levar a cabo aquilo que anuncia ser capaz de fazer

– Ter garantido a seriedade e a qualidade das suas fontes, das suas bases, dos locais onde aprendeu e onde recolheu os seus conhecimentos.

– Proteger o paciente, selecionando os produtos de melhor qualidade e as técnicas mais previsíveis e mais bem estudadas.

– Não fazer experiências com pacientes, a não ser em estudos devidamente preparados, em centros de pesquisa e após validação das respectivas comissões de ética envolvidas terem dado parecer positivo e “luz verde” a tais experiências.

– Deve informar o melhor que puder e souber o paciente em relação ao tratamento que lhe propõe, explicando as vantagens, desvantagens, perigos, eventuais complicações, duração e longevidade e respectivas garantias.

Da parte do paciente, este deve ser responsável por:

– Respeitar o médico e manter um ambiente cordial e confortável com o médico em tratamento.

– Recolher informações acerca do médico que escolhe para o tratar e perceber e investigar acerca das suas habilitações, do seu curriculum. Não podemos correr o risco de querer comparar profissionais e por vezes até se pode tornar ofensivo, estar-se a comparar diferentes profissionais, e até estar a compara honorários em profissionais que nada têm a ver um com o outro quer em termos de experiência, quer em termos de currículo, quer em termos do tipo de materiais e instalações utilizadas no tratamento.

– Pedir ao médico para lhe mostrar Casos Clínicos semelhantes tratados, com imagens, fotos e Raio-X de situações que podem ser utlizados durante o tratamento do paciente.

– Se for possível recolher informações junto de pacientes já tratados com técnicas semelhantes, salvaguardando a proteção de dados dos intervenientes.

– O próprio paciente poderá informar-se das suas opções de tratamento para poder junto do médico ter um papel mais activo e informado para se poder chegar a uma partilha de responsabilidade no momento da decisão do plano de tratamento.

Sem ilusões

Não devemos ter ilusões, ou ser desonestos e dizer que corre tudo sempre da melhor maneira possível em todas intervenções e que conseguimos garantir a 100% o cumprimento das expectativas dos pacientes.

As expectativas e a sua gestão, também ela bilateral

Expectativas da parte do médico:

O médico tem de conseguir gerir as suas expectativas num contexto clínico e científico de que as suas técnicas e conhecimentos ao dispor serão suficientes em todos os Casos Clínicos para poder tratar o paciente. Mas nem sempre assim acontece e também é desta forma que o profissional se vê obrigado a:

– Procurar novos materiais bem estudados e com provas dadas

– Ponderar o envio do paciente a um colega que esteja melhor preparado e qualificado a levar a cabo o tratamento

– Perceber que está na altura de melhorar o seu Curriculum e procurar conhecimento, ir estudar e treinar com médicos, cirurgiões mais experientes.

– A não querer ir estudar mais, deve perceber os seus limites e não os ultrapassar correndo sério risco de não conseguir cumprir o plano de tratamento com o rigor e qualidade que o deve fazer, podendo resultar daí elevado dano para o paciente.

Expectativas da parte do paciente:

– Deve perceber que o impossível é inimigo do equilíbrio e do bom senso e deverá refletir e medir muito bem acerca da sua expectativa do tratamento para não ficar desiludido.

– Exigir ao Clínico uma explicação precisa, completa e bastante esclarecedora e confrontar as expectativas que tem em relação ao tratamento e aos possíveis resultados finais.

– Perceber todas as complicações possíveis durante o tratamento.

Manter uma boa relação

Como todas as relações, sejam elas profissionais, médicas, pessoais, dependem de um equilíbrio e de uma dinâmica muito especifica e que requer uma manutenção e esforço de ambas as partes.

Com educação, bom senso e seriedade, a ciência poderá estar ao dispor quer do médico, quer do paciente, neste processo fantástico de devolver e melhorar a saúde, a função e a estética ao corpo humano

A seriedade de todo o processo é baseada na ciência da relação entre médico e o paciente.

Termino a agradecer a vosso tempo e atenção com este meu texto.

Até breve e não se esqueçam de serem felizes. Apesar de tudo, sorrir não dói.

Se for o caso, se o facto de sorrir lhe provoca dor, náusea, ou desequilíbrio, consulte o seu médico dentista.

Até uma próxima oportunidade!

Dr. Luís Pinheiro

Dr. Luís Pinheiro

  • Mestre em Cirurgia Oral e Maxilofacial no Eastman Dental Institute – University College of London
  • Licenciado em Medicina Dentária em 2007 no I.S.C.S.E.M. – Monte de Caparica – Portugal
  • Registado na Ordem dos Médicos Dentistas – Portugal desde Agosto de 2007
  • Pratica Exclusiva privada em Cirurgia Oral e Implantologia
  • Membro Associado da Sociedade Britânica de Cirurgia Oral (n.º 2277)
  • Membro associado da Sociedade Portuguesa de Cirurgia Oral
  • Diretor Clínico do Centro de Estética e Reabilitação Oral de Lisboa – C.E.R.O. – Lisboa
  • Responsável pelo Departamento de Cirurgia Oral e Implantologia do Centro de Estética e Reabilitação Oral, Lisboa e Almada
  • Membro permanente da equipa de formação da S.I.N. – Implant System – como orador para Portugal e Europa, com mais de 1500 horas de formação dada, Cirurgia Oral e Implantologia
  • Consultor Científico da multinacional S.I.N. – desenvolvimento e aplicação de novos produtos na área da Cirurgia Oral e Implantologia para Portugal
  • International Speaker da S.I.N. – Cirurgia Oral e Implantologia
  • Autor e Co-autor de artigos e posters científicos
  • Conferencista em eventos nacionais e internacionais
  • Prática em Cirurgia Oral e Implantologia em Oxford – Reino Unido, entre 2012 e 2014, uma semana por mês
  • Inscrição no General Dental Council (G.D.C.) Reino Unido entre 2012 e 2014
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